segunda-feira, 13 de maio de 2013

Como Trabalhar Mapas com Crianças

 Brincando com Mapas
por Eugênio Pacceli da Fonseca

                    Introdução
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      Crianças de todas as idades adoram explorar espaços desconhecidos com um mapa à mão. A alegria de encontrar no espaço real algo que está desenhado em um mapa é uma alegria verdadeiramente surpreendente. Surpreendente em muitos sentidos, afinal, o mapa já informava que "aquilo" estaria ali e achá-lo não deveria nos surpreender. É que os mapas têm algo de mágico, de "poderoso", e quando encontramos o que estava mapeado é como se a mágica se concretizasse e o mapa mostrasse seu poder... Achar algo em um mapa nos faz confiar plenamente neles.
     Os mapas também nos orientam, nos ajudam a chegar onde queremos ir. São guias amistosos, apesar, de até certo ponto, enigmáticos. Compreender um mapa, saber lê-lo, é entender um amigo complexo, culto, rico e misterioso. 
     Saber interpretar um mapa nos faz sentir participantes de um grupo com habilidades especiais para entender enigmas, desvendar mistérios e saber sobre um lugar sem jamais ter estado lá. 
    Tudo isso faz com que os mapas sejam objetos culturais de rara eficiência na informação e sedução. 

Como trabalhar mapas com as crianças?

Crianças de até sete anos.
     O que é óbvio é que devemos considerar a idade e a maturidade da criança. No caso das muitos novas é sempre recomendado começar com a utilização diária de palavras direcionais por parte dos adultos: "vou entrar pela direita"; interessante como o Sol sempre nasce naquele lado"; "agora estou indo para o oeste, mesmo lado para onde vai o Sol";"aquele poste está mais próximo de nós do que aquela pé de manga"; "a pomba está em cima do telhado e o cachorro está latindo de baixo para cima" e coisas assim. Dessa forma a criança vai se acostumando com o uso das mesmas expressões e acabam por colocá-las no repertório de seu dia a dia.
   Como qualquer livro introdutório de geografia ensina, direções podem ser ensinadas através de observações dos movimentos de astros tão familiares como o Sol e a Lua, daí a importância de incentivar essa atividade por parte da criança.  
Com uma criança muito nova podemos nos restringir a isso. Por enquanto podemos deixar os mapas de lado. Contudo, podemos incentivar que a mesma desenhe sua casa em um papel e ao lado o Sol poente dizendo: "aqui vou desenhar a montanha atrás da qual o Sol vai se por".

Crianças de sete a doze anos 
     Agora mais velhas, as crianças podem começar a desenhar e a ler mapas, utilizando e decifrando sua linguagem e gramática tão específicas.  Uma boa maneira de introduzir e aprofundar isso é continuar incentivando os desenhos dos mapas da casa, das ruas e do bairro, sem grande  preocupações com escalas e perspectivas. 
    Quanto maior a área que será desenhada mais os desenhos serão dessemelhantes em relação ao elemento do espaço real, daí a necessidade de utilizar símbolos. Uma praça, por exemplo, raramente será desenhada como ela é por uma criança. Pergunte a ela: "mas o que é isso?" "Ah, é uma praça? Então vamos explicar isso aqui em baixo!" "Veja como está aqui nesse mapa..." 
     Nesse período os pais podem brincar com o filho de "chicotinho queimado mapeado". Esconda algo em sua casa e faça um mapa, localizando o objeto com um X, devidamente explicado na legenda. Desafie seu filho a achar o objeto escondido. O mapinha poderá ser usado várias vezes e isso ajudará a criança a entender as legendas dos mapas e a posição relativa dos elementos espaciais, de uns em relação  aos outros.
     Com o tempo pode-se passar a utilizar os nomes dos pontos cardeais para fazer referências aos lados. "Aquele lado onde o Sol sempre nasce é o leste... E ele sempre vai para o oeste. "Veja como essa ponta da bússola aponta sempre para o mesmo lado e deixa o leste sempre para a direita..."
     Comece a interpretar com a criança mapas  de cidades, países e continentes. Aproveite para ir começando a explicar o difícil conceito de "país". "Esse pedaço da América aqui é nosso é o Brasil"...Explique antes, que normalmente se desenha o norte na parte de cima do papel. Pergunte depois: "estamos aqui e esse outro ponto aqui é onde fica a casa da vovó. De acordo com esse mapa para que lado está a casa da vovó?" Vá trabalhando assim e depois você poderá perguntar: "Para que lado está a Argentina? Para o norte ou para o sul?
     Ao passear com a família, utilize um mapa e gaste um tempo o consultando. Mostre para a criança onde vocês estão, utilizando grande elementos do espaço real como referência: "Estamos aqui ao lado dessa cachoeira, vamos pegar essa estrada e acharemos uma ponte logo adiante..." "Qual será o caminho mais próximo para a outra cachoeira? Me ajude a descobrir!" 
     O que foi dito acima é essencial. Quem sabe você está fazendo nascer assim um verdadeiro campista. Uma pessoa verdadeiramente preocupada com o meio que o cerca, não apenas com palavras mas com atitudes. Leve seu filho e seu aluno para conhecerem os parques do país. Leve sempre um mapa, para uso individual ou em duplas. Interpretem o mesmo em conjunto. Não se preocupe excessivamente se o mapa vai rasgar ou se estragar. Ele precisa ser usado. Estou falando aqui de mapas topográficos de grandes escalas, onde estarão mapeadas cachoeiras, corredeiras, canyons, grutas, etc., etc. Com o tempo pode-se chegar a brincar de "Geocaching". Será legal demais. Uma verdadeira caça ao tesouro. Veja adiante.
 http://cartografiaescolar.wordpress.com/geocacher/

Crianças de treze anos em diante
     A maior parte do trabalho já foi feito: a criança ter contato e afeição pelos mapas. Afeição, mesmo! Como se pode ter pelos livros. Agora é um trabalho de manutenção e aprofundamento. 
   Ao preparar uma viagem, planeje-a com seu filho. Por onde irão. Onde pararão. Que atrações há por perto. Quantos quilômetros serão percorridos. Há estradas ou caminhos alternativos?
    Planeje trilhas com seu filho utilizando um mapa.
  Incentive a criança a desenhar mapas com base no espaço real e a desenhar mapas fantásticos - tais como os dos jogos tão apreciados por ela. Nesse última caso você poderá estar fazendo nascer um verdadeiro cartógrafo virtual. Os mapas dos jogos virtuais são hoje cada vez mais realísticos. Nesse ponto retomamos o que dizíamos anteriormente. Na mesma proporção que os mapas dos espaços reais tornam fantásticos os lugares reais, os mapas de lugares fantásticos fazem reais o que é real em nossa imaginação!



    



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Há vários mapas hoje em dias em jogos de estratégia nos computadores e vídeo games. Os alunos farão bem mais bonitos do que você imagina…
O mapa abaixo é de um jogo RP. Vejam como ele guarda certas conveções cartográficas.Parece até parente do meu mapinha acima.
O Marcel, um leitor assíduo, disse que isso já é perder tempo. Concorda mais com os chineses que vão direto ao assunto com objetividade e sem “frescuras”. O negócio, de acordo com ele, é ensinar as coordenadas, as curvas de nível e toda a técnica que a cartografia exige, considerando obviamente a idade das crianças, mas sempre forçando a barra para a frente, ou seja, “carro apertado é que canta” (como recentemente exposto na revista Veja, em um comentário sobre um livro que relatava como uma mãe chinesa, nos EUA, educou sua fílha para o triunfo na vida: exigências e obrigações, sem espaço para o lúdico, a arte ou coisas menos exatas…).
Tudo bem Marcel, mas como não estou na China, nem nos EUA, não sou chinês, nem anglo-saxão, não sou confuciano nem calvinista e “não quero só comida”, trilho também pelas sendas dos sonhos…
E como eu sou só um pouco bobo, para reforçar o meu lado, afirmo ainda que é uma grande preocupação entre os especialistas, cartógrafos-educadores, trabalhar com a Cartografia para as crianças. O excelente site citado abaixo, mostra o quanto a Sociedade Brasileira de Cartografia  se preocupa com a questão. Eles têm todo um trabalho nessa linha, inclusive com concursos que incentivam a cartografia criativa das crianças.
Não devemos substimar os mapas criativos. Acredito que devemos incentivar nossos alunos a desenhá-los, desde que eles apliquem algumas convenções  cartográficas que ensinamos em classe.
Dois exemplos de mapas (premiados em concursos internacionais) criados por criança:
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